Notícias

Energisa conclui recuperação judicial do Grupo Rede

Quase três anos após a compra, Justiça considera que todas as obrigações do plano de recuperação foram cumpridas; operação figura entre 1% dos casos bem sucedidos no país

A Energisa comunicou hoje ao mercado decisão da Justiça de São Paulo - da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital, que decretou o encerramento do processo de recuperação judicial do Grupo Rede, cuja compra foi concluída em abril de 2014. Segundo decisão da Justiça, a Energisa cumpriu todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial homologado em novembro de 2013.

A decisão representa a conclusão de um dos capítulos finais da reestruturação definitiva das empresas em recuperação judicial. "O encerramento deste processo é mais um passo para consolidar a Energisa como uma das maiores companhias do setor elétrico do Brasil, com capacidade diferenciada e histórico bem sucedido de recuperação de empresas no setor elétrico de distribuição", diz Ricardo Botelho, presidente do Grupo Energisa.

Desde que foram compradas, as oito distribuidoras que pertenciam ao Rede saíram de um prejuízo de R$ 566 milhões, em 2013, para um lucro líquido de R$ 380 milhões, em 2015. Os investimentos avançaram 45% em igual período, passando de R$ 812 milhões para quase R$ 1,2 bilhão em 2015.

Antes da transferência de controle para o Grupo Energisa, as distribuidoras que pertenciam ao Rede tinham dívidas da ordem de R$ 3,9 bilhões. Deste total, R$ 2,2 bilhões eram com os bancos, R$ 1,0 bilhão entre encargos setoriais e energia comprada em atraso e R$ 0,7 bilhão em impostos parcelados e em atraso. Estas companhias receberam aportes de capital de cerca de R$ 1,2 bilhão, reperfilaram e/ou substituíram R$ 2,2 bilhões em dívidas e, em dezembro de 2015, o endividamento líquido já era de aproximadamente R$ 2,4 bilhões, uma redução de 39%.

O processo de aquisição do antigo Grupo Rede pode ser considerado um dos casos mais bem sucedidos de recuperação judicial do Brasil. Segundo dados da Serasa Experian, apenas 1,1% das empresas tem sucesso em processos como esse no país. "A decisão da Justiça é resultado de um intenso e grandioso trabalho realizado pela Energisa nos últimos anos, com forte planejamento, prudência financeira e responsabilidade na gestão dos ativos. Além de termos cumprido todas as etapas do plano de recuperação do Rede, conseguimos retomar à normalidade nas operações das empresas, traçando um caminho para alcançarmos patamares de rentabilidade e qualidade de serviço adequados. As distribuidoras estão plenamente recuperadas e integradas ao grupo. E tudo isso foi realizado em meio ao cenário crítico vivido pelo setor elétrico nos últimos dois anos, somado à crise econômica que o país enfrenta", destaca Botelho.

O executivo ressalta ainda que a empresa permanecerá focada nas melhorias operacionais das distribuidoras. "Iremos perseguir nossas metas até 2018, quando pretendemos colocar essas empresas entre as melhores do Brasil", conclui.

Entenda o processo

O processo de aquisição teve início em julho de 2013, quando a Energisa conseguiu que sua proposta fosse submetida à votação em Assembleia de Credores do Rede. Aprovado pelos credores, o Plano de Recuperação Judicial foi homologado em novembro daquele mesmo ano pela 2ª Vara de Falências de São Paulo, responsável pelo processo. Na ocasião, o plano foi aprovado por 100% dos credores da classe II, num total de R$ 712.519.668,30 com garantia real e por 66,34% dos credores da classe III, num total de R$ 2.080.604.151,31. Na totalização final, o plano alcançou 74,93% dos créditos favoráveis.

Em dezembro, a Aneel aprovou o Plano de Recuperação e Correção de Falhas e Transgressões para o Rede, entregue pela Energisa dois meses antes. Em janeiro, a agência reguladora deu anuência para a transferência de controle, a última etapa antes da conclusão do negócio. A Energisa se comprometeu a fazer aportes imediatos de R$ 1,1 bilhão nas distribuidoras adquiridas (acabou aportando mais), visando correção das transgressões e a melhoria da situação econômica e financeira das concessionárias adquiridas. Este montante era adicional aos compromissos do Rede assumidos pela Energisa no âmbito do plano de recuperação judicial, que totalizaram R$ 1,95 bilhão a serem desembolsados aos credores.

A compra do Grupo Rede tornou a Energisa - uma das mais antigas companhias do setor elétrico, com 111 anos - o sexto maior grupo de distribuição de energia elétrica do Brasil em número de clientes, com aproximadamente 6,5 milhões de consumidores. Às cinco distribuidoras do grupo no país - localizadas na Paraíba, em Sergipe e no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro - somaram-se mais oito concessionárias de energia elétrica, localizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e no interior de São Paulo. Com isso, a Energisa passou a atuar em nove estados e em todas as regiões do país.

Clique aqui para ler a íntegra do Fato Relevante

Última atualização em 

Close